sábado, 21 de abril de 2012

Mais uma vez

Arrumei a casa, depois de tanto tempo.

Eu prometi pra mim mesmo que não deixaria ninguém bagunçá-la dessa vez, afinal, reconstruir tudo não tinha sido nada fácil. Mas como meus planos nunca dão certo, mais uma vez eu deixei minha casa aberta, talvez por precisar que alguém a invadisse. Eu abri a porta, eu deixei que isso acontecesse, eu permiti que a bagunça fosse feita…

Mas no fundo, a gente sempre espera por isso, não é verdade? É bom saber que alguém tem esse poder na nossa vida. É bom sentir que uma pessoa, mesmo sem saber, sustenta o nosso mundo por alguns momentos.

Eu não me importo em recolher os cacos, nem em reconstruir as paredes que foram derrubadas, desde que tudo tenha valido à pena. O que importa, na verdade, é a trajetória, mesmo que o final não seja o esperado.

Mas aí eu me pergunto: não seria muita idiotice deixar a casa aberta sabendo que ninguém fica pra recolher o lixo? A bagunça é necessária, é o que move a nossa vida, é o que dá emoção. Mas eu quero mais que emoção. Quero além do passageiro. Quero algo maior do que aquele furacão de sempre. Quero alguém que fique. Quero destruir. Quero sentir. Quero viver. Quero tanta coisa…

É pedir demais?

quarta-feira, 7 de março de 2012

O quarto vazio

Tudo que mais me dá saudade fica guardado num quarto, trancado e sem iluminação, numa tentativa desesperada de sufocar o que ficou pra trás. De vez em quando, sinto necessidade de visitar esse ambiente nostálgico e cheio de mofo que são as minhas memórias. Novas ou antigas, elas sempre foram parte de mim, e é difícil livrar-se disso de uma hora pra outra. Ultimamente ando reparando no sumiço de alguns objetos de colecionador que eu insisto em guardar, como aquele relacionamento mal sucedido ou aquela amizade eterna que não durou. Acho que tudo isso, de alguma forma, tem fugido do meu controle. Não sei explicar como as coisas desapareceram, mas aquele lugar torna-se cada dia mais vazio e empoeirado. Relembrei tanto, gastei meu pensamento com tanta inutilidade, que acabei esquecendo de renovar a coleção. Tô aqui, parado e sendo ultrapassado por gente mais ágil e esperta do que eu.
Não é fácil ter vontade de reiniciar aquela busca, mas em momento algum eu cogitei que fosse tão difícil. Deve ser o medo de perder outra vez e ter que voltar pro quarto vazio... Demorei muito pra conseguir sair de lá.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Menos expectativa, mais realidade


O tempo vai passando e algumas das pancadas que tu toma durante a vida se tornam irreversíveis. Os foras, as brigas, aquele pé na bunda inesquecível, as decepções, enfim. Todo tipo de trauma, apesar de trazer alguns ensinamentos importantes, também têm suas consequências negativas. É aquele receio que sempre aparece antes de dar um novo passo, misturado com o medo de que as coisas deem errado mais uma vez. É o vício da derrota que não quer mais ir embora.
Como se faz pra recomeçar? Talvez eu esteja precisando de alguém. Alguém que me ajude a crer em tudo que eu faço questão de duvidar. Se a vida é tudo isso que dizem, pode ser que eu ainda não tenha sido apresentado à realidade. Ou podem ter me mentido sobre ela, mas isso não seria nenhuma novidade.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Quebra-cabeça


Um quebra-cabeça completo, ou incompleto, não sei definir. Só sei que a minha peça não se encaixa mais nele, e talvez isso não faça a mínima diferença.
Nós passamos muito tempo nos acostumando com as pessoas e com a rotina que a vida impõe, é inevitável sentir medo do futuro quando tudo isso acaba. Sempre gostei da sensação de pertencer a algum lugar ou grupo, e agora, tem sido difícil imaginar outras perspectivas, pela depedência que isso causa.
É como acordar um dia, olhar em volta e estranhar tudo. As pessoas, os ambientes, as ruas... Aquilo que um dia foi tão teu, e que agora nem de longe se parece com o que tu julgava essencial pra viver.
Essa é a questão, as prioridades da vida. Tu escolhe algumas, mas às vezes elas não te escolhem, e aí, tá feita a merda. Essas escolhas formam um quebra-cabeça, e eu não faço parte dessa coleção de peças que se encaixam perfeitamente.

sábado, 24 de dezembro de 2011

2011, parte I

+ O que você fez em 2011 que nunca fez antes?
Me deixei levar nos sentimentos e em coisas que antes eu não permitia... Não que isso seja algo bom.

+ Você manteve as resoluções de ano novo de 2011, e fará novas para 2012?
Bom, a maioria das coisas que estavam nos meus planos pra 2011 e que dependiam só de mim, eu fiz... O resto não tava na minha mão.

+ Alguma pessoa próxima teve um bebê?
Não.

+ Alguma pessoa próxima morreu?
Não

+ Que lugares você visitou?
Não viajei nesse ano.

+ O que você gostaria de ter em 2012 que faltou em 2011?
Paz, consideração e respeito. Mais sorrisos e menos tristeza.

+ Que data de 2011 vai ficar marcada em sua lembrança?
Umas 5 ou 6 datas foram importantes nesse ano pra mim, não posso dizer uma só.

+ Qual sua maior realização no ano?
O crescimento na vida profissional, com certeza.

+ Qual foi o seu maior fracasso?
Vida pessoal.

+ Você teve alguma doença?
Amigdalite, mas isso não é exclusividade de 2011.

+ Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Acho que nesse ano só comprei tênis e roupa, não lembro de mais nada.

+ Que comportamento mereceu comemoração?
O de alguns amigos meus que eu não preciso citar, mas que sabem tudo que fizeram por mim nesse ano (e não foi pouco, diga-se de passagem).

+ Que comportamento foi deprimente?
Todo mundo teve comportamentos deprimentes nesse ano, principalmente eu.

+ O que te deixou realmente excitado:
O meu verão de 2010/2011.

+ Que canções sempre vão te lembrar de 2011?
Under Cover Of Darkness - The Strokes, Saudade - Supercombo, Garotos Perdidos - Doyoulike, Feira de Ciências - Tópaz, Burn Out Brighter - Anberlin, Eat That Up, It's Good For You - Two Door Cinema Club, e mais algumas...

+ Comparando-se com essa época, no ano passado, você está:
I. Mais feliz ou mais triste? Mais triste
II. Mais magro ou mais gordo? Na mesma
III. Mais rico ou mais pobre? Não digo mais rico, mas em melhor situação financeira com certeza.

+ O que você queria ter feito mais?
Queria ter conhecido mais pessoas que pudessem me mudar pra melhor.

+ O que você queria ter feito menos?
Queria ter criado menos expectativas quanto ao meu ano. Queria ter conhecido menos gente vazia também.

+ Como vai passar o réveillon?
Acho que em casa, com a família.

+ Você se apaixonou em 2011?
Não sei dizer se foi bem isso, mas alguma coisa eu senti...

+ Qual foi seu programa de TV favorito?
Os Simpsons.

+ Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Sim, e não é uma pessoa só.

+ Você gosta de alguém hoje que odiava há um ano?
Talvez.

+ Qual foi o melhor livro que você leu?
Não li nada em 2011.

+ Qual foi a sua maior descoberta musical?
Two Door Cinema Club.

+ O que você quis e conseguiu?
Coisas materiais, muitas.

+ O que você quis e não conseguiu?
Mudar a minha personalidade e o meu jeito de encarar algumas coisas da vida.

+ O que você fez no seu aniversário?
Fui pra aula fazer um trabalho.

+ O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
Muitas coisas, nem dá pra comentar...

+ Como descreveria seu modo de se vestir em 2011?
Não sei dizer, mas mudei muito nesse quesito. hahaha

+ O que manteve a sua sanidade?
A minha faculdade, apesar de me enloquecer às vezes, também me manteve em foco durante esse ano.

+ Qual celebridade você mais admirou?
Não sei.

+ De quem sentiu falta?
Do meu antigo eu, de quem eu costumava ser.

+ Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Conheci muita gente nesse ano, seria injustiça citar nomes e esquecer de alguém.

+ Diga uma lição valorosa que aprendeu em 2011:
O que as pessoas DIZEM geralmente não é o que elas FAZEM.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Nada, absolutamente nada

Nem feliz nem triste. Nem amargo nem doce. Incolor, inodoro e insosso. E aquele vazio só faz aumentar, a cada dia.
Me perguntam o motivo desse isolamento, e eu não sei explicar. Acho que cansei das pessoas, ou das coisas que elas tem me oferecido. É estranho, mas ficar sozinho tem sido muito bom pra mim. Sabe quando não vale a pena sair de casa pra (tentar) viver uma coisa que não existe?
A busca foi intensa, incansável e longa. E não resultou em absolutamente nada. Todo aquele esforço pra fazer as coisas serem diferentes foi por água abaixo, nada mudou. Talvez seja esse o motivo da minha descrença, a imutabilidade dos fatos. Sair pra curtir a vida? Beber? Dançar? É tudo momentâneo, e quando eu chego em casa... Continua tudo igual.
Sabe, é estranho pensar o quanto as pessoas se tornaram entediantes e desinteressantes de uma hora pra outra, acho que nada vai trazer de volta aquela vontade de fazer as coisas acontecerem. O preço da felicidade é alto, e depois que tu alcança o céu, o inferno sempre dá um jeito de voltar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Poderia ter sido, mas não foi

Sempre fui meio nostálgico, do tipo que olha pra trás com saudade e esquece do futuro. Por isso, fico preso ao ''podia ser''. Me vejo em certas situações, pensando nas coisas que eu vivi durante esse ano, e é inevitável imaginar algo diferente. Se eu tivesse dito aquilo, se eu tivesse feito o que queria fazer... Se, sempre o se.
Penso em como a minha vida poderia estar agora, em como eu pensei que realmente estaria, e isso me deixa profundamente irritado. Não admito essa falta de controle sobre tudo.
Prender-se no que poderia ter vindo a acontecer é a pior coisa que se pode fazer. É difícil ver teus planos indo por água abaixo, sem que tu possa fazer absolutamente nada. A gente sempre cria expectativasquanto a tudo, é inevitável. Não é fantasiar, é querer demais.
Tô cansado de me frustrar com a vida, to cheio de não conseguir absolutamente nada que eu quero. Meu placar anda um empate em 0 a 0, e esse resultado não me serve. Eu queria poder acreditar mais nas pessoas, perdoar mais e sentir menos. Na real, tudo que eu preciso é de uma memória mais fraca e de um coração mais forte. Esquecer é a palavra, ES-QUE-CER. O que foi bom e o que foi ruim. Simplesmente apagar da memória, não faz mais sentido guardar coisas que só ocupam espaço e não servem pra nada.
Nunca é, eu já deveria ter me acostumado. Difícil mesmo é acreditar que um dia possa ser.